Não estamos mais no tempo das vivandeiras
Dizem que se não fossem os franceses, os ingleses ainda estariam grunhindo. A língua latina, muito mais evoluída que a anglosaxã, nos deixou palavras como vivandeira. Ora, vivandeira é a mulher que vendia alimentos, mas não só. Vivandeira era a mulher que acompanhava as tropas. O que isso significa? À medida que a mulher retoma o posto de comando, de decisão, de diálogo, o mundo se transforma e se verifica melhor, mais sublime, mais equilibrado. Mas, nem todos assim pensam. Conheço muita mulher que aceita e até mesmo verifica ser importante viver debaixo das botas do marido. Quando a marcha da família perambulou, na década de 60, em apoio ao regime militar, com os preceitos da TFP – Tradição, Família e Propriedade, não estavam reagindo aos novos tempos, mas reafirmando postulados medievos. Compreender uma mulher no poder é aceitar um pouco do legado dos franceses.
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| Dilma, presidenta. Foto: Exame.com |
Em agosto deste ano, a presidenta Dilma respondeu um questionamento da Revista Carta Capital que sugeria um irritamento dos militares em face da nomeação de Celso Amorim para o Ministério da Defesa. Sem perder tempo, a Chefe de Estado e Governo, respondeu em bom tom: “(…) não estamos mais na época das vivandeiras. As Forças Armadas são disciplinadas, hierarquizadas e cumprem seus preceitos constitucionais. Estão subordinadas ao Poder Civil e é assim pelo fato de a sociedade brasileira ter evoluído nessa direção. Não é um conquista do governo ou da mídia, é da sociedade brasileira”. Ao assumir a pasta da Defesa, Amorim reascende a polêmica da Comissão da Verdade e o Brasil entra numa nova era, onde a Democracia poderá ser definitiva. A sociedade civil não será mais subordinada ao poder militar e as vivandeiras serão novamente as mulheres que apenas vendem alimento.
O Coletivo Catarinense: memória, verdade e justiça
Coletivo é uma palavra que remete ao todo, ou pelo menos parte de um todo, de um grupo, equipe, que compreende muitas coisas ou pessoas. Nasce no latim, mas brasileiro adora a palavra. Temos saudade de tudo àquilo que não fomos, ou não fizemos, ou deixamos pelo caminho. Psicologicamente não estamos errados em querer cobrar esse tempo perdido, mesmo porque o tempo é abstrato e se mistura no passado, presente e futuro. Historicamente é mais que necessário, é um dever cidadão e que não perece como direito.
Não há lei na Terra que prescreva a busca por Justiça. Justiça, que Hans Kelsen divagou mais que quarenta páginas, apelando para Aristóteles e Jesus, e sem ter resolvido a questão, conseguiu mais do que dar qualidade a algo que é substantivo no ser. Nossos lexicógrafos diriam, assumindo a versão da teoria pura do direito que justiça é virtude de dar a cada um aquilo que é seu. Para os jusnaturalistas correta seria a assertiva, mas uma ditadura muda tudo. Duas ditaduras racham um ser humano ao meio, ou em infinitas partes, como neutrinos que viajam mais céleres que a luz. A memória, a verdade e a justiça não são três pilares como a santíssima trindade porque se assim o fossem serão mistérios nunca desvelados. Por mais abstratos que sejam esses termos seus significados constituem mais do que uma prece, mais do que um direito adquirido, assistido ou materializado. Se a comissão da Verdade perquirida pelo coletivo catarinense não vingar, voltaremos ao tempo das vivandeiras: daquelas vendem o alimento para saciar a fome, e daquelas que acompanham as tropas em silêncio.
Audiência Pública em apoio a comissão nacional da verdade
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| Audiência Pública. Foto: Lucas Diniz |
As informações e fotos da audiência pública do dia 08/11/2011 estão no link: http://www.alesc.sc.gov.br/portal/imprensa/leitor_noticia.php?codigo=28206 Não se preocupem! O pessoal do jornalismo da Alesc fez um ótimo trabalho.
Por sugestão ainda menciono o link de um artigo que postei no Blog Feito em Sala de Aula, e que já repercute na Internet.



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